O Observatório da Economia Criativa (Obec) apresentou a pesquisa “Patrimônio Cultural, Economia e Sustentabilidade” na abertura da VI Jornada do Patrimônio Cultural, que aconteceu em Salvador, na última quarta-feira (27). O evento celebra os 40 anos do reconhecimento do Centro Histórico de Salvador como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO e é promovido pela Fundação Gregório de Mattos (FGM) e Secretaria de Cultura de Salvador.
Representando o Obec, as especialistas Caroline Fantinel e Thaís Brito participaram da mesa de abertura, que contou também com a presença de Luciana Fraga (Iphan) e foi mediada por Vagner Rocha, diretor de Patrimônio da FGM. Caroline e Thaís atuam como pesquisadoras do estudo, realizado pelo Obec e Iphan, que investiga práticas de sustentabilidade econômica relacionadas a 12 bens culturais brasileiros reconhecidos internacionalmente, entre eles o próprio Centro Histórico de Salvador.
Ciência, Cultura e Sociedade
Durante a mesa, as pesquisadoras destacaram a relevância de aproximar ciência, cultura e sociedade, reforçando o papel da pesquisa acadêmica como suporte para políticas públicas e ações de salvaguarda. “A presença do Obec nesta Jornada fortalece o compromisso de produzir conhecimento qualificado sobre o patrimônio, valorizando tanto os bens materiais quanto as práticas e expressões culturais que dão vida ao Centro Histórico”, destacou Caroline Fantinel.
Foram apresentados os marcos teóricos da pesquisa, que se estrutura a partir de quatro eixos principais: patrimônio cultural, desenvolvimento, economia cultural e criativa, e sustentabilidade econômica. Além disso, as especialistas anunciaram o lançamento do Relatório da 1a Etapa da pesquisa, que aconteceu à tarde, em transmissão ao vivo pelo canal do Iphan no YouTube.
Caroline e Thaís enfatizaram o trabalho de campo e a análise empírica em curso, na segunda etapa do estudo. Diversos agentes envolvidos com o patrimônio foram ouvidos pela equipe da pesquisa (moradores, trabalhadores, comerciantes, instituições e pesquisadores), como forma de compreender modelos de sustentabilidade mais aderentes à realidade local.
A investigação pretende preencher uma lacuna histórica: a escassez de dados sobre a dimensão econômica do patrimônio cultural brasileiro. De acordo com Fantinel, “a imersão na dimensão econômica do patrimônio cultural brasileiro pretende investigar e fortalecer a autonomia e as condições de agentes culturais e detentores (pessoas e comunidades que praticam e mantém vivo o patrimônio), que enfrentam o desafio de preservar o patrimônio cultural material e imaterial no presente, assegurando sua transmissão para as próximas gerações”.
“É no diálogo entre ciência, cultura e sociedade que conseguimos construir caminhos para a sustentabilidade do patrimônio, valorizando tanto sua materialidade quanto as práticas imateriais que o mantêm vivo”, ressaltou Thaís.U
Sobre as palestrantes
Caroline Fantinel é doutora e mestre pelo Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade (UFBA). Graduada em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas pela Universidade Salvador. Dedica-se a pesquisas nas áreas de memória e patrimônio, culturas populares, políticas culturais e economia criativa. É pesquisadora do Obec. Coordena o projeto de pesquisa “Memórias do Reinado de Momo” e integra a equipe do Núcleo de Extensão, Comunicação e Cultura do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (IHAC/UFBA).
Thaís Brito é antropóloga, professora do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (CECULT/UFRB) e do Programa de Pós-graduação em Arqueologia e Patrimônio (UFRB). Doutora em Antropologia Social (FFLCH-USP), mestre em Ciências Sociais (PUC-SP). É coordenadora do Grupo de Pesquisa Mesclas – Memória, Espaço e Culturas e do Massapê – Programa de Educação Patrimonial. Compôs a equipe para a elaboração do Dossiê do processo de salvaguarda do “Bembé do Mercado”, atuando como co-coordenadora da pesquisa e co-diretora do Filme “Bembé do Mercado”. Atualmente, coopera na Pesquisa “Patrimônio Cultural, Economia e Sustentabilidade” realizada pelo Obec e Iphan. Atuou como editora da Revista Trilhos entre 2020 e 2024.

Fotos de Flávio Otero e Jefferson Peixoto